Esse não é um problema de uma loja só. É o cenário do setor inteiro.

O que os números mostram

Em levantamento da Abrasel feito em março de 2025, 90% dos empresários de bares e restaurantes disseram que é difícil ou muito difícil contratar novos funcionários. Para 64%, o principal entrave é encontrar profissionais bem qualificados.

O dado chama atenção por outro motivo. Na mesma época, o salário médio do setor de alimentação fora do lar chegou a R$ 2.222, a maior média da história, segundo a PNAD. Ou seja, mesmo com a remuneração em alta, preencher vagas continuou difícil. O levantamento é de bares e restaurantes, mas o desafio de achar e manter equipe é comum a quem trabalha com alimentação.

Por que ficou mais difícil contratar

Trabalho de balcão, produção e atendimento sempre exigiu gente disposta a lidar com correria, horário puxado e pé no chão o dia inteiro. Isso não mudou. Mas as opções de quem procura emprego, sim. Hoje existem mais alternativas de renda, mais formas de trabalhar por conta própria e mais concorrência por quem topa esse tipo de rotina.

Resultado: quem já tem equipe formada sente que precisa segurar cada pessoa com unhas e dentes. E quem está contratando sente que toda vaga demora mais do que devia pra fechar.

Esperar a mão de obra voltar não é plano

Não dá pra esperar o mercado se resolver sozinho para continuar vendendo no mesmo ritmo. Enquanto isso, o pedido continua chegando, o cliente continua esperando resposta e a produção continua precisando sair na hora certa, com a equipe que dá pra ter, e não com a equipe ideal.

Há ainda um fator novo. Com a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, cada pessoa vai trabalhar menos horas por semana quando a mudança entrar em vigor. Isso torna ainda mais importante fazer cada hora da equipe render.

Três frentes para segurar a equipe que você tem

Não existe solução única, mas três frentes ajudam ao mesmo tempo:

  1. Reter. Combinar folgas com antecedência, reconhecer um bom trabalho e abrir espaço para a equipe dizer o que está pesado são ações baratas que ajudam a segurar quem já sabe fazer.
  2. Simplificar. Quanto mais o dia depende de memória e do jeitinho de quem já está ali há anos, mais difícil é treinar alguém novo. Processos claros e escritos encurtam o tempo até a pessoa render.
  3. Automatizar. Tirar do turno o que é repetitivo libera tempo para o que só uma pessoa faz.

A terceira frente é a que mais depende de decisão do dono, e é nela que o resultado costuma aparecer mais rápido.

O que não ajuda

Pedir que a equipe faça mais com menos, sem mudar como o trabalho é feito, pode ter o efeito contrário: mais cansaço, mais erro e mais uma pessoa saindo. O ganho de produtividade que dura vem de mudar o processo, e não de pedir esforço extra de quem já está no limite.

O que muda quando menos gente dá conta de mais coisa

A saída não é lutar contra a escassez. É reduzir quanto do trabalho do dia a dia realmente precisa de uma pessoa fazendo na mão:

  1. Pedido que chega organizado não precisa de alguém pra digitar tudo de novo.
  2. Pergunta repetida de cardápio não precisa tirar atenção de quem está na produção.
  3. Confirmação de horário e entrega não precisa de um telefonema.

Quando essas partes saem do caminho, a equipe que você tem, mesmo enxuta, consegue segurar um volume maior sem ser esticada até o limite.

Como medir quanto da rotina é repetitiva

Peça para quem está no turno dividir o dia em três partes: o que só uma pessoa resolve, o que depende de gente mas poderia ser mais simples e o que é repetição pura. Estime o tempo de cada parte.

O resultado costuma surpreender. Quanto maior for a terceira parte, maior o espaço para ganhar tempo sem pedir esforço extra de ninguém.

O custo de uma vaga aberta

Uma vaga aberta tem custo, mesmo que ninguém o some. Quem está na equipe cobre o buraco com horas a mais, o atendimento fica mais lento no pico e o dono ou o gerente passa a gastar tempo com entrevistas em vez de cuidar da operação.

Por isso, reduzir a dependência de mão de obra não é só uma forma de economizar. É uma forma de proteger a rotina da equipe que já está ali.

Quando treinar vira o gargalo

Com muita troca de gente, cada pessoa nova precisa ser treinada do zero, e o treinamento toma o tempo de quem já sabe. Quando as informações ficam guardadas no sistema, como cardápio, prazos e regras de encomenda, o caminho encurta: o novo funcionário não precisa decorar tudo antes de começar a ajudar.

Isso também protege a loja de um risco silencioso, o de depender de uma única pessoa que "sabe como as coisas funcionam".

Um exercício para fazer esta semana

Pergunte a quem está no turno: "o que você faz hoje que poderia ser feito sem você?" As respostas costumam trazer uma lista pronta de tarefas para organizar ou automatizar primeiro.

A pergunta também mostra à equipe que a ideia é aliviar o trabalho, e não cobrar mais. Isso ajuda a conseguir apoio quando a mudança chegar.

Resumindo

Não dá pra contar com o mercado de mão de obra voltando a ser como era antes. Quem espera isso acontecer perde tempo. Quem organiza a operação pra depender menos de gente em tarefa repetitiva consegue continuar vendendo, mesmo com o time que tem hoje.

Fale com a Epadoca e veja como reduzir a dependência de mão de obra na rotina de atendimento.
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Fontes